V EDIÇÃO - 25 JUNHO 2017

sexta, novembro 24, 2017

Aldeia de Xisto Gondramaz

Subindo a serra, encontra-se o Gondramaz, uma aldeia de xisto onde o tempo parece ter parado. Chegados perto do cimo da montanha, ergue-se do solo a aldeia, o Gondramaz, que de uma forma envergonhada se vai mostrando através da vegetação.
A sensação é esmagadora. Todos os sentidos são estimulados. A visão é imaginária. Parece que estamos a caminhar sobre os telhados.

A sinalética indica-nos os pontos de referência da aldeia e dá-nos a conhecer os seus segredos. A audição é envolta de um som forte, de uma música, de uma pauta escrita pelo som emitido pelas asas das abelhas. O cheiro é extasiante, a um odor de verde da natureza. O sabor está envolto no gosto delicioso das castanhas que envolvem o chão.

Envolvendo a aldeia, desenvolve-se o percurso pedestre do Gondramaz, o primeiro percurso acessível do país, que pode ser feito por invisuais e por pessoas com mobilidade reduzida.

Visitada a aldeia, convidamo-lo a percorrer a pé os caminhos da serra. Durante a subida, vamo-nos apercebendo de vários pontos de miragem sobre a vila e das encostas das montanhas, de uma beleza rara de vegetação que vai escorrendo e envolvendo a íngreme depressão até ao sopé, terminando numa euforia de verde.
A fauna, esconde-se no embrenhado da flora, mostrando-se aqui e ali de uma maneira tímida. Veados e javalis dividirão com o aventureiro os caminhos pedonais que se abrem diante dos nossos olhos e que nos guiam neste passeio pedestre.
Chegados à cumeeira, abre-se aos nossos olhos, uma pintura dos deuses. As elevações e as depressões, as várias tonalidades de verde, toda a paisagem parece não ter fim. Os olhos “enchem-se” de tanta beleza.

O percurso continua, sobre caminhos de terra batida, encaminhando-nos, em descida, à aldeia abandonada do Cadaval. Mais um exemplo magnifico da típica aldeia serrana.


Embora abandonada e vítima de um grande incêndio que a devorou, a aldeia ainda guarda o testemunho de ruelas e de paredes em xisto que encerravam as inúmeras casas. A paisagem convida ao descanso e à contemplação.